“Não me abalo por isso. Sou firme quando está em jogo a defesa dos direitos civis”.

Autor de uma das obras selecionadas pela Contee para as Dicas Culturais para as Férias, o professor, escritor e militante Toni Reis foi um dos destaques da edição 33 da Revista Conteúdo. O paranaense é um dos fundadores da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) e do Grupo Dignidade, organização voltada para a promoção e defesa dos direitos humanos da comunidade LGBT.
Confira abaixo a matéria completa e conheça um pouco da história de luta de Toni Reis.
O paranaense Toni Reis foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), a qual já foi presidente, e acumula um histórico de luta ao longo dos seus 32 anos de militância. Do distrito de Limeira, Coronel Vivida/PR, onde nasceu, município de uma cultura eminentemente machista, em 1964, ano do golpe militar, até a capital do estado, foram 19 anos de atuação nos grêmios estudantis de escolas do interior.
Em Curitiba, concretizou o sonho de se tornar professor, após a conclusão do curso de Licenciatura em Letras na Universidade Federal do Paraná. Na Federal, participou ativamente na política partidária e estudantil, sendo eleito tesoureiro, diretor e presidente da Casa do Estudante Universitário (CEU), nas gestões de 1986 a 1988. Nesse período, participou, ainda pelo movimento estudantil, da greve dos professores de 1988, conhecida pela violência policial a qual foi duramente reprimida. Posteriormente, teve uma atuação no movimento sindical da categoria dos professores.
No final da década de 1980, mudou-se para a Europa, onde morou na Espanha, Itália, França e Inglaterra até o final de 1991, quando retornou à capital paranaense. Foi nesse período que Toni Reis, após passar anos de sua vida tentando entender sua sexualidade e orientação sexual, conheceu seu marido, David Harrad, com quem mora em Curitiba, juntamente com os três filhos adotivos.
Reis, que depois se tornou especialista em sexualidade humana, mestre em filosofia e doutor em educação, viu na defesa dos direitos humanos uma bandeira importante de atuação para fortalecer o movimento LGBT, bem como pela educação pública de qualidade, pelos direitos da juventude, pela democracia e participação social. Movido por esses ideais, foi um dos fundadores do Grupo Dignidade, em 1992, a primeira organização da sociedade civil paranaense e a segunda da região sul do País, voltada para a promoção e defesa dos direitos humanos da comunidade LGBT. O Dignidade é, ainda hoje, um dos grupos mais atuantes do Brasil.
Foi professor da rede pública do Estado do Paraná de 1992 a 1994, em duas cidades interioranas; foi conselheiro Municipal de Saúde de Curitiba e Conselheiro Estadual de Saúde do Paraná durante vários mandatos. Em 1995, junto com outros 31 grupos, fundou a ABGLT, que reúne atualmente cerca de 300 grupos, sendo a maior rede LGBT da América Latina, com status consultivo junto à Organização das Nações Unidas. No continente, contribuiu para a criação e foi dirigente da Associação para Saúde Integral e Cidadania na América Latina e Caribe (ASICAL).
O militante comunista conta que sempre exerceu cargo de liderança desde a adolescência, até mesmo para se proteger do preconceito por sua orientação sexual. “Se eu não era convidado para jogar bola, eu comprava a bola para ser o primeiro a ser chamado. Eu sempre me utilizei da liderança. Por todo esse sofrimento eu falo isso muito abertamente, de forma muito tranquila”, conta o paranaense lembrando que começou a estimular as discussões de gênero na UFPR, onde sempre fazia questão de dizer que era gay.
Apesar de ter muito claro suas preferências sexuais, por pessoas do mesmo sexo, se percebeu como homossexual aos 14 anos. É nesse período que ele passa por diversas religiões, orientado pela mãe, e por religiosos, a alcançar a cura gay. “Hoje, se houver cura, não quero me curar, estou muito feliz assim”, ironiza.
Atualmente é secretário de Educação da ABGLT e faz pós-doutorado em Educação, com o tema homofobia e transfobia nas escolas.
Questionado sobre a retirada do termo gênero dos planos de educação, Reis avalia que os “movimentos e organizações da sociedade civil não estavam preparados para responder à altura e foram pegos de surpresa pelo vulto da mobilização desencadeada pelas forças contrárias”.
“Vejo como alarmante e uma ameaça à democracia essa onda reacionária e até fascista que se espalha pelo país e se instala no Legislativo”, alerta o militante que encara qualquer parada. Em junho deste ano, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, sobre o chamado “Estatuto da família”, encarou a fúria de alguns deputados e do pastor evangélico Silas Malafaia. As fotos do evento fizeram sucesso nas redes sociais por conta do contraste entre a expressão do pastor e a serenidade de Toni Reis, que afirma: “Não me abalo por isso. Sou firme quando está em jogo a defesa dos direitos civis”.

http://contee.org.br/contee/?p=30712#.Vqp0fE-Wnlx

Apresentação1

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